Fevereiro 17, 2012

Anil

Nestes últimos dias tenho observado a discussão em torno da menina do cabelo azul que foi impedida de frequentar as aulas em um colégio aqui em Uberaba/MG [sim, eu moro neste fim de mundo]. Se pesquisar no google com o termo menina de cabelo azul vai poder se atualizar, caso não tenha ouvido algo sobre o assunto [ou se tiver preguiça, clique aqui e aqui para ler duas reportagens sobre o assunto].
O caso vem crescendo na região [e não duvido nada que logo será assunto no Fantástico ou em outro programa deste tipo]. Enquanto protestos são feitos na tentativa de chamar mais atenção para o assunto, preferi comentar o assunto sobre um outro ângulo.
Não. Não vou debater sobre a liberdade de expressão, cerceamento de direitos ou menos ainda a vontade implícita de padronização ou o preconceito latente na sociedade [tendo este caso como exemplo]. Também não vou jogar letras e palavras aqui para construir um argumento em defesa da liberdade do dono do estabelecimento de ensino em quer ou não padrões entre seus frequentadores [nenhuma das palavras esta frase foi usada sem intenção, ok?].
A questão que mais me assusta não é a proibição, a forma da proibição ou mesmo o cabelo azul. Nada disso é importante quando se observa a necessidade das pessoas em transformar ações em espetáculos. É curiosa a capacidade dramática [e também criativa, por que não?!] das pessoas ao transformarem o incidente em algo fora de proporções, forçando memes sobre o assunto e "politizando" os acontecimentos. Como observador externo, sinto-me atraído em perceber como as pessoas reagem, consomem, digerem e transmitem.
Se concordo com a proibição? Não. Se concordo com a permissividade dos envolvidos em transformar [ou pelo menos tentar transformar] isto em um grande ato cívico? Também não. É o poder de mídia embutido em cada um que me assusta nestas situações. É o circo. É o pão. São os leões. Estes sim que julgo necessário serem discutidos. A redução de experiências a reações vazias, consumistas, imediatistas e midiáticas. O grande espetáculo. Dando-se tapas nos ombros quando se atinge o objetivo de visibilidade. Pois isto é democracia. Isto é cidadania...
Em uma sociedade tão esfomeada, ações assim não satisfazem. São aperitivos que demandam outras semelhantes. Se superficialmente, é esta a percepção de se obter algum reconhecimento e se atingir à comunidade, pergunto aqui os efeitos reais quando a tenda for desmontada? Uma vez fora dos holofotes, qual a mudança que isto poderá ter causado na percepção de cada um que por acaso leu, participou, ficou sabendo, compartilhou em redes sociais ou viu pela televisão?  Qual o impacto numa organização social tão homogenizada e homogenizante? Proíbam quantos cabelos azuis quiserem. Protestem infinitamente. Compartilhem quantos smurfs julgarem necessários. Se isto é o necessário para interiorizar o aprendizado adquirido. Somente não se esqueçam de se perguntarem 'o que deveria aprender?' antes que atirem mais pães envelhecidos ou acendam mais luzes brilhantes...
Eh Phoda!!!

1 comentários:

Walkiria Zani disse...

Só tenho algo a dizer... Adriano, vc é phoda!!! Parabéns pelo texto! ; D